Do plantaobrasil
Temer
se prepara para privatizar o Correios
Com
a desculpa de diminuir a presença do estado, como foi a conversa de FHC, Temer
lança programa de desestatização da economia e entregar estatais a iniciativa
privada
Após
assumir, na última quinta-feira, com a promessa de redução da presença do
Estado na economia brasileira, o presidente interino, Michel Temer, já começa a
se preparar para vender participações da União em estatais e em várias empresas
privadas. Para fazer caixa e incrementar o ajuste fiscal, a equipe de Temer
trabalha com uma lista na qual se destacam, entre outros, a abertura de capital
dos Correios e da Casa da Moeda e a venda de fatias do governo federal em até
230 empresas do setor elétrico, sendo 179 Sociedades de Propósito Específico
(SPEs) nas mãos da Eletrobras. São dezenas de empreendimentos nas áreas de
geração, distribuição e transmissão de energia e em parques eólicos. Também
fazem parte do rol de ativos a Infraero, as companhias Docas, a Caixa Seguros e
o IRB Brasil. Estes dois últimos tiveram a ofertas públicas de ações suspensas,
devido à piora nas condições do mercado.
Segundo
uma fonte da equipe econômica, além de aumentar a arrecadação federal, como
consequência da alienação de participações da União nas empresas, o governo
quer resolver problemas de algumas estatais que estão praticamente quebradas e
necessitam de investimentos. Algumas das ações, no entanto, levarão algum tempo
para gerar resultados, como é o caso das instituições que precisam ser
reestruturadas — os Correios, por exemplo.
A
lista já vinha sendo preparada em segredo na gestão do PT e será encampada pelo
novo governo, podendo ser até ampliada. Também fazem parte da relação a venda
de participações da União na BNDESPar (sociedade de ações, braço do BNDES) e em
companhias como Centrais de Abastecimento de Minas Gerais (Ceasaminas),
Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg), Novacap e
Terracap (companhia de urbanização e agência de desenvolvimento do Distrito
Federal), entre outras.
No
caso dos Correios, será necessária a aprovação do Congresso. O primeiro passo é
reestruturar o plano de negócios da empresa, que teve prejuízo de R$ 2,1
bilhões em 2015. Uma das ideias é dividir as áreas em unidades, como logística
e encomendas, por exemplo, que poderão ser transferidas integralmente ao setor
privado.
Os
Correios ainda detêm o monopólio das cartas, prerrogativa que não faz sentido
em um mundo cada vez mais digital. Desde 2011, a empresa vem sendo preparada
para a abertura de capital, disse um ex-dirigente, citando a mudança no
estatuto, com obrigatoriedade de seguir a Lei das S.A., publicar balanços e
realizar assembleias de acionistas.
—
A situação financeira dos Correios está muito complicada, mas a empresa tem
bons ativos e poderá vir a ser valiosa. Primeiro, vamos ter que reestruturar o
modelo de negócios — disse um técnico da equipe econômica.
Conforme
essa fonte, com a mudança no governo já é possível perceber uma melhora no
mercado, o que abre novamente as perspectivas para a oferta pública de ações da
Caixa Seguros e da venda da participação da União no IRB.
PARTICIPAÇÕES
DO BNDESPAR SOMAM R$ 44 BI
A
venda da fatia da Infraero nos cinco aeroportos privatizados (Guarulhos,
Viracopos/Campinas, Brasília, Galeão e Confins/Belo Horizonte) também tem
chance de sair do papel. Com a entrega dos aeroportos ao setor privado, a Infraero
perdeu receitas e, deficitária, passou a depender do Tesouro Nacional. Para
reverter o quadro, além de um amplo plano de demissão voluntária (PDV), o
governo estuda fatiar a empresa, criando uma nova, que se tornaria
concessionária de Congonhas e Santos Dumont. Essa companhia, pelos planos do
governo, seria aberta ao capital privado.
No
caso do setor elétrico, o êxito dos leilões da hidrelétricas antigas em
dezembro, que geraram R$ 17 bilhões para os cofres do governo apesar da
situação adversa de um mercado dominado pela incerteza política, serve de
estímulo ao plano, segundo interlocutores. Neste caso, a ideia é se desfazer de
ativos, como linhas de transmissão já prontas e com contratos assinados.
—
Não faz sentido a União permanecer com esses ativos quando precisa fazer caixa
—explicou a fonte.
Já
as companhias Docas dão dor de cabeça para a União, com prejuízos e problemas
de gestão. A ideia é reestruturar as federais e repassá-las ao setor privado,
diante da avaliação de que o setor de portos é um bom negócio.
De
acordo com levantamento da consultoria GO Associados, feito a pedido do GLOBO,
considerando apenas um grupo de oito empresas — Petrobras, Banco do Brasil,
Eletrobras, Caixa, Correios, Infraero, IRB e Banco da Amazônia —, o potencial
de arrecadação chega a R$ 127,8 bilhões. O valor considera a venda da
participação total da União nessas companhias.
Além
disso, só a BNDESPar (100% estatal) tem ações em 116 empresas de vários
setores, avaliadas em R$ 44,5 bilhões. A ideia é que a União se desfaça, em uma
segunda etapa, de participações em empresas de setores que não são
estratégicos.
Para
Gesner de Oliveira, sócio da GO Associados, a venda de ativos deve ser um
componente do ajuste fiscal e uma alternativa à elevação de impostos, que
sacrifica toda a economia. Ele ressalta que a atual crise exige medidas
urgentes para estabilizar a relação da dívida em proporção ao Produto Interno
Bruto (PIB).
—
Daí a necessidade de ampliar o leque de ações para promover o ajuste fiscal.
Uma das opções é a venda de ativos que pertencem à União, visando ao abatimento
da dívida e à consequente redução das despesas com juros — disse Oliveira,
sugerindo que o governo faça um planejamento para realizar as operações em
etapas, de acordo com o melhor momento do mercado.
Segundo
Oliveira, a União poderia se desfazer de participações que detém na BNDESPar,
como em frigoríficos, por exemplo, e manter outras companhias, como Petrobras e
Banco do Brasil. Neste caso, devido ao papel do BB como principal agente
financeiro do plano safra.
Além
da venda de ativos, Temer criou uma secretaria, ocupada por Moreira Franco, que
vai desenvolver o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), com foco nas
concessões, privatizações e Parcerias Público-Privadas (PPPs) no setor de
infraestrutura. O programa terá um conselho, presidido pelo próprio presidente,
que vai fiscalizar, comandar e “animar” todas as ações com os empresários.

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