Por Flávio Alves no Facebook
No
dia 12 de fevereiro de 2012, na cidade de Queimadas/PB, cinco mulheres foram
estupradas por dez homens. Duas delas morreram por reconhecerem seus
agressores. O estupro coletivo foi planejado como um presente de aniversário
para um dos agressores.
Em
26 de agosto de 2012, 9 homens, integrantes da Banda New Hit, foram presos em
Ruy Barbosa/BA após estuprarem duas adolescentes de 16 anos. As jovens foram ao
ônibus da banda para tirar fotos e foram subjugadas. Segundo o relato, os
homens se alternavam no abuso, enquanto alguns as seguravam, outro as
estuprava.
Em
15 de fevereiro de 2015, em Osasco/SP, uma adolescente de 13 anos foi dopada e
em seguida estuprada por 9 homens, para depois ser largada na rua sem roupas e
se cobrindo com um pedaço de papelão.
Em
Castelo/PI, no dia 28 de maio de 2015, quatro adolescentes saíram para se
divertir e tirar fotos em um ponto turístico da pacata cidade onde viviam.
Foram barbaramente agredidas e estupradas por cinco homens. Uma delas não
sobreviveu.
Em
19 de março de 2016, Rio de Janeiro, uma adolescente de 13 anos voltava para
casa quando foi abordada por quatro homens e obrigada a entrar em um carro. Foi
estuprada e espancada e ficou na companhia de seus agressores até a manhã do
dia seguinte, quando conseguiu fugir.
No
dia 23 de maio de 2016, uma adolescente de 16 anos foi dopada e estuprada por
33 homens na cidade do Rio de Janeiro. Os abusos foram filmados, fotografados,
e postados em uma rede social com textos de comemoração.
Esses
são casos são os que ganharam repercussão nacional. Existem milhares que estão
encobertos e que sequer foram denunciados.
Estou
desde ontem tentando digerir o último caso. 33 homens estupraram uma garota. 33
homens doparam uma garota. Abusaram de seu corpo sem que ela tivesse chance de
se defender. 33 homens agiram como se estuprar uma pessoa desacordada fosse
algo normal. 33 homens se deram o direito de invadir o corpo de uma mulher
indefesa, desacordada, sem condições de resistir ou de consentir.
Nenhum
tentou impedir.
Quando
o caso repercute, não mais 33, mas milhares de homens saem em defesa dos
estupradores. "Ah, mas ela pediu", "Se tivesse em casa isso não
teria acontecido", "Ela é drogada", "Olha onde ela foi se
meter", "É funkeira", "É vagabunda", "Tem até um
filho", entre outros argumentos.
Em
25 de maio de 2016, uma garota, após ser estuprada por 33 homens, foi abusada
por outros milhares de homens que a culpam pelas agressões que sofreu. Sim, é
isso o que fizemos, culpamos a vítima por seu infortúnio e livramos a cara dos
agressores.
Foi
assim em Queimadas, em Osasco, Castelo, Rio de Janeiro e Ruy Barbosa. É assim
sempre. Somos inocentes, elas pedem, provocam, não se comportam e nem se vestem
adequadamente. Elas merecem.
Todos
os dias, a cada minuto, uma mulher é agredida no Brasil. Enquanto escrevia este
post, mais algumas foram agredidas, abusadas, estupradas - coletivamente ou não
- e outras perderam ou perderão suas vidas.
E
o motivo é um só: Estupradores. Homens que se dão o direito de violentar
mulheres e que continuam a agir, pois sabem que terão nosso apoio.
E
isso precisa parar. É hora de nós, homens, falarmos seriamente sobre como
combateremos o machismo e a cultura do estupro.

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