Embora Michel Temer não tenha se furtado de colocar cunhistas em cargos de seu governo, não é aí que o morto-muito-vivo da política brasileiro mostra que caminha como legião na terra da política.
É na Câmara, onde na noite de ontem emplacou o fidelíssimo cunhista André Moura como seu líder, apoiado por uma procissão de 225 deputados de 13 partidos (PP, PR, PSD, PRB, PSC, PTB, Solidariedade, PHS, PROS, PSL, PTN, PEN e PTdoB).
Sobrou ao PSDB e ao DEM o papel que efetivamente têm: o de linha auxiliar.
A esta hora, Cunha anda folheando o livro dos Hebreus, 3-2: “Ele foi fiel àquele que o constituiu, assim como também foi Moisés em toda a casa de Deus.”
Por pouco tempo.
A turma que controla a Câmara não está nem aí para recompensas espirituais. Muito menos com o sucesso das medidas econômicas de Henrique Meirelles.
Quer negócios e à vista.
Com os votos do PMDB, o bloco do Cunha faz maioria. Com os de “linha auxiliar”, tem o bastante para reformas constitucionais.
O inverso, porém, não ocorre.
Sem o PC (Partido do Cunha), PMDB, PSDB e DEM não têm nem voto para emplacar nem moção de pêsames.
Temer, que não consegue perceber as questões externas ao mundo da política profissional, está muito atento a isso.
Depende desta maioria para cumprir sua missão.
E, para ter essa maioria, depende de Cunha.
Adoraria, como bom traidor que é, que o Supremo o matasse.
Mas sabe que, vivo, Cunha é sua razão de estar lá.
Sem ele, não há governo Temer.

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