Edição
desta segunda-feira, 16, do jornal Le Monde considera que o novo governo não
seduziu os brasileiros; "Nomeações deixam qualquer um perplexo", diz
o jornal francês, que destaca um ministério sem mulheres, a extinção da pasta
da Cultura, reduzida a uma secretaria de Estado, e o fato de haver sete
ministros citados em inquéritos judiciais, "sem dúvida o mais
preocupante"
Da Rádio França Internacional Brasil - A edição matinal do Le Monde, publicada no
site do jornal, faz um balanço nesta segunda-feira (16) dos primeiros passos do
presidente interino Michel Temer. O respeitado jornal francês considera que o
novo governo não seduziu os brasileiros. "Temer fracassou na estreia",
escreve a correspondente em São Paulo, Claire Gatinois.
Le
Monde começa o texto pela primeira nota oficial do novo ministro das Relações
Exteriores, José Serra, com um safanão nos governos de esquerda da América
Latina que denunciaram um susposto mal funcionamento das instituições
democráticas no Brasil.
A
nota diplomática teve tom "firme e decidido", diz o Monde, mas na
realidade o afastamento da presidente Dilma e o processo de impeachment no
Senado suscitam preocupação na região, destaca a jornalista. O presidente
argentino, Mauricio Macri, de centro-direita, também está com receio da
instabilidade política no Brasil, acrescenta. Macri foi o primeiro líder
sul-americano a reconhecer a legitimidade do governo interino.
"Nomeações
deixam qualquer um perplexo"
As
primeiras medidas anunciadas por Temer deixam qualquer um perplexo, observa a
jornalista: um ministério sem mulheres; a extinção da pasta da Cultura,
reduzida a uma secretaria de Estado; e sete ministros citados em inquéritos
judiciais, "sem dúvida o mais preocupante" . "Antes de tomar
posse, Temer tentou oferecer o posto de ministro da Ciência a um
criacionista", diz o texto, em referência ao presidente nacional do PRB, o
bispo licenciado da Igreja Universal Marcos Pereira, depois substituído por
Gilberto Kassab (PSD).
A
historiadora Armelle Enders, recentemente entrevistada pela RFI, autora do
livro "Nova História do Brasil", afirma ao Le Monde que, se cada país
decidisse afastar do poder nas democracias modernas dirigentes incompetentes ou
impopulares, sobrariam poucos políticos no poder. Sobre a nova equipe, ela
opina que o governo Temer carrega a marca da continuidade e do conservadorismo.
"Os ministros são raposas velhas que participaram de todos os governos
recentes, de Fernando Henrique Cardoso a Dilma Rousseff, passando por
Lula", resume Armelle Enders.
Le
Monde cita ainda a análise feita pelo New York Times, que julgou que o
afastamento de Dilma foi ruim para o Brasil.
Fonte:
brasil247

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