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Orçamento sob ameaça: sem MP do IOF, cortes de R$ 7,1 bilhões em emendas podem paralisar a base parlamentar

A derrota no Congresso pela derrubada da medida provisória que tributa aplicações financeiras e ativos virtuais projeta impacto direto no orçamento de 2026 — e sinaliza um “castigo orçamentário” a quem votou contra o governo

08/10/2025 - Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão deliberativa (Foto: Kayo Magalhaes/Agência Câmara)

BVO - O governo federal já mensura as consequências da derrota sofrida no Congresso: técnicos alertam que o montante destinado a emendas parlamentares pode recuar R$ 7,1 bilhões no Orçamento de 2026, caso os parlamentares não aprovem medidas compensatórias. Brasil 247

A estimativa é que, dos R$ 52,9 bilhões que poderiam compor esse orçamento para emendas, cerca de R$ 45,8 bilhões seriam “realizáveis” — um recuo substancial da força de barganha parlamentar. 


A queda da MP do IOF como pivô da crise orçamentária

A Medida Provisória 1.303/2025, que tratava da tributação de aplicações financeiras e ativos virtuais (e destinava compensações para o golpe fiscal causado pela revogação do IOF), foi retirada de pauta na Câmara e perderá validade — processo que inviabiliza sua tramitação no Senado. Senado Federal+1

A retirada obedeceu a um requerimento aprovado por 251 votos favoráveis e 193 contrários. Com isso, o texto não poderá ser votado, e não haverá substituto automático para a receita prevista. Senado Federal

Para a equipe econômica, a MP era essencial para equilibrar as contas públicas: não apenas para 2026, mas para cumprir meta fiscal de superávit primário de 0,25 % do PIB. Senado Federal


As consequências tangíveis: cortes, contingências e reajustes de força

Emendas parlamentares bloqueadas ou contingenciadas

Com a perda de receita, o governo admite que haverá bloqueios ou contingenciamentos das emendas, como forma de compensar o rombo fiscal. Senado Federal+1

Pressão por novo aumento do IOF ou outras medidas tributárias

A equipe econômica avalia estratégias de compensação, incluindo um possível novo aumento do IOF por decreto, que dispensaria tramitação no Congresso. InfoMoney

Restrições a políticas de investimento e programas sociais

Se emendas são o instrumento pelo qual parlamentares captam apoio local (obras, benefícios, convênios), uma redução drástica enfraquece a implementação de políticas regionais menores.
Além disso, o governo terá de reforçar cortes ou ajustar despesas para fechar o equilíbrio fiscal sem depender desses recursos extras.

Tensão política e represálias entre Executivo e Legislativo

A correlação entre votos contrários à MP e a “punição orçamentária” implícita fará parte do jogo político do ano que vem. Parlamentares poderão reagir cobrando reciprocidade, retaliações ou retórica de ruptura.


O recado de poder que a conta carrega

Essa crise não é só contábil: é política. Ao permitir que a MP caducasse, o Congresso removeu uma das principais ferramentas de compensação que o Executivo planejava usar para pacificar o ajuste fiscal.

Para o governo de Lula, o risco é duplo: ou força o Legislativo a colaborar (através de pressões “orçamentárias”), ou verá sua base fragmentar-se em meio a ressentimentos.

Do ponto de vista simbólico, o corte de emendas representa um freio à barganha tradicional: o governo sinaliza que não enriquecerá aliados apenas por fidelidade eleitoral — que exigirá compromisso político, inclusive no voto.


Cenários possíveis daqui para frente

Aprovação de projeto alternativo: Congresso pode apresentar nova proposta tributária que recupere parte da receita estimada da MP.

Novas cobranças ou vetos presidenciais: Lula pode vetar ou postergar ações que onerem ainda mais o Orçamento, ao mesmo tempo em que exigirá contrapartidas.

Crise de base política: parlamentares impactados podem reagir com deslealdade ou retirar apoio para projetos do governo.

Reforço da narrativa de austeridade responsável: o governo usará a crise para argumentar que o ajuste é parte da governança séria — embora isso gere atrito com setores sociais e parlamentares.



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