No dia 23 deste mês o relatório da Anistia Internacional apontou Manaus como exemplo em retrocesso em direitos humanos, a organização cita casos como o assassinato em série de 37 pessoas em um único final de semana, caso que ocorreu em julho do ano passado. Na época comentava-se que o governador José Melo (Pros) havia perdido completamente o controle do Estado se é que um dia teve.
Insegurança em Manaus também assusta
Em julho do mesmo ano, o dominical da Rede Globo Fantástico denunciou a situação de medo e insegurança que toma conta das ruas da capital amazonense. “O dia ainda está claro, mas quase não se vê ninguém do lado de fora pelas ruas e becos da periferia de Manaus. Ninguém sai mais na rua, não. Ninguém sabe quem anda matando as pessoas desse jeito. Aí as pessoas ficam com medo, com certeza”, conta uma mulher que não ser identificada.
Em paredes e cercas, as marcas dos tiros das três noites de terror de julho de 2015. Em um ponto, Josenilson Bernardo, de 25 anos, morador local, foi alvo dos assassinos. Mas ninguém quer falar sobre isso.
Fantástico: O senhor pode falar com a gente sobre ele?
Homem: Não, não, que isso é coisa perigosa.
Homem: Não, não, que isso é coisa perigosa.
Cidade das Luzes
Em dezembro por determinação do prefeito de Manaus Artur Neto, ocorreu a desocupação da chamada “cidade das luzes”, o que culminou em tragédia: um pai de família desesperado e implorando para não ser despejado tocou fogo no próprio corpo.
André Junior de Oliveira Vasconcelos, de 32 anos, teve 90% do corpo queimado. Ele foi encaminhado ao Hospital 28 de Agosto, onde foi entubado e passou por cirurgia. Após procedimentos, André foi levado para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), em estado gravíssimo, e morreu.
Uma clara infração aos direitos humanos e omissão do poder publico que demonstrou total desconhecimento do Estado do Amazonas e da prefeitura de Manaus para conduzir com respeito a dignidade humana, os conflitos de terras para que não haja mortes pela falta de habilidade e dialogo.
Crime bárbaro mata ativista político
No inicio deste ano, a sociedade amazonense assistiu chocada Manaus ser mais uma vez protagonista em crimes bárbaros, no último dia 16, o militante do Partido Democrático Trabalhista, Alexandre Ferreira, 33, foi encontrado morto com um tiro na cabeça na estrada do Puraquequara, Zona Leste de Manaus. Informações da polícia, afirmam que o militante foi encontrado com sinais de tortura e com os pés e mãos amarradas.
Em clima de comoção lideranças dos movimentos sociais, partidos políticos e dirigentes do PDT levantaram suspeitas sobre a motivação do crime, todos foram unanimes em afirmar que Alexandre era considerado um jovem tranquilo, sem vícios e inimigos.
Atual composição da Câmara dos Deputados representa um retrocesso aos Direitos Humanos
Para os autores do relatório da Anistia, o Poder Legislativo teve papel importante nesta piora. O documento cita como exemplo a aprovação do Projeto de Lei 2016/15 , que tipifica o terrorismo e criminaliza movimentos sociais; a proposta de revogação do Estatuto do Desarmamento; a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da maioridade penal; a aprovação do Estatuto da Família; o Projeto de Lei 5.069/13, que dificulta abortos de mulheres vítimas de estupro; o avanço da discussão da PEC 215, que tira do Executivo a exclusividade sobre a demarcação de terras indígenas, entre outros temas.
De acordo com o documento, indígenas e defensores de direitos humanos nas regiões rurais foram os grupos que mais sofreram violações de direitos humanos no Brasil em 2015.
Anistia aponta motivações para crimes
Os autores do relatório citam que as “suspeitas são de que as ações foram orquestradas por policiais em retaliação à morte de um colega”. Também criticam o que eles chamam de “impunidade”, tanto no caso do Amazonas como de exemplos de outros Estados citados no documento. “Policiais responsáveis por execuções extrajudiciais desfrutaram de quase total impunidade no País”, diz texto.
De acordo com o relatório da Anistia Internacional, o ano de 2015 foi marcado por mais retrocessos do que avanços em relação aos direitos humanos no Brasil.
Mortes
Em relação a homicídios cometidos por policiais em serviço, o diretor executivo da Anistia Internacional, Atila Roque, destacou que a minoria dos casos não foi investigada e que houve relatos frequentes de que os agentes envolvidos tentaram alterar a cena do crime para criminalizar as vítimas. “Em 2015, quase mês a mês, é possível observar uma situação em que o modo de ação da polícia resultou na morte de inocentes e crianças e de pessoas que não estavam oferecendo nenhum risco a ninguém para serem objeto de força letal tão alta”, observou.
Da Redação do Portal MP com informações Anistia Internacional e D24AM
Fonte: portaldomovimentopopular

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