Ajustes simples de uso, manutenção em dia e escolhas mais inteligentes podem reduzir a conta de luz em até dezenas de reais por mês
Em tempos de calor intenso, o ar-condicionado deixa de ser luxo e passa a ser item de sobrevivência em muitas casas e escritórios, mas o preço aparece na fatura de energia. Uma das formas mais eficientes de economizar é ajustar a temperatura de uso para patamares em torno de 23 ºC a 25 ºC, em vez de manter o equipamento abaixo dos 20 ºC, como muita gente faz. Cada grau a menos pode representar aumento relevante no consumo, sem necessariamente trazer conforto proporcional, especialmente se o ambiente já estiver bem vedado e protegido do sol direto.
A vedação do espaço é outro ponto central: portas e janelas mal fechadas, frestas e vidro sem cortinas fazem o aparelho trabalhar em dobro para manter o ambiente frio. Investir em cortinas térmicas, persianas, películas refletivas e até veda-frestas simples ajuda a manter o ar frio dentro do cômodo e o calor do lado de fora. Em muitas situações, esses pequenos ajustes estruturais geram economias constantes, reduzindo o tempo em que o compressor fica ligado no limite.
Manter a manutenção em dia é fundamental tanto para o bolso quanto para a saúde. Filtros sujos, serpentinas com pó e drenos obstruídos obrigam o equipamento a gastar mais energia para entregar o mesmo resultado, além de favorecer a circulação de fungos e bactérias. A recomendação é limpar filtros regularmente, seguindo o manual do fabricante, e realizar revisão profissional periódica, especialmente em aparelhos mais antigos. Em condomínios, é importante que regras internas incentivem e fiscalizem essas práticas.
Na hora de comprar um novo ar-condicionado, vale prestar atenção à etiqueta de eficiência energética e ao tipo de tecnologia. Equipamentos com tecnologia inverter, apesar de mais caros na compra, tendem a consumir menos energia no uso contínuo, modulando a potência conforme a necessidade. Modelos de menor eficiência podem parecer mais baratos inicialmente, mas pesam mais na conta de luz ao longo de alguns anos, o que torna o investimento em aparelhos econômicos mais vantajoso no médio prazo.
O uso combinado de ventiladores e ar-condicionado também pode contribuir para reduzir gastos. Em alguns momentos, é possível ligar o ar para resfriar o ambiente e, depois, manter apenas o ventilador em funcionamento para distribuir o ar frio, desligando temporariamente o compressor. Em dias menos quentes, o ventilador sozinho pode dar conta do recado, especialmente se houver circulação cruzada de ar com janelas estrategicamente abertas em determinados horários.
Outra dica é evitar ligar o ar-condicionado com portas e janelas escancaradas logo após o ambiente estar muito quente, como ao meio-dia. Sempre que possível, é melhor fechar o cômodo, ligar o aparelho e aguardar alguns minutos para o resfriamento inicial, em vez de tentar “resfriar a casa inteira” ao mesmo tempo. Em casas e apartamentos grandes, o uso de aparelhos menores em cômodos específicos, como quarto e escritório, pode ser mais eficiente do que um único equipamento tentando dar conta de tudo.
Monitorar o consumo ao longo do tempo ajuda a entender se as mudanças adotadas estão funcionando. Muitas distribuidoras de energia oferecem ferramentas online que mostram o histórico de consumo e permitem comparar o uso mês a mês. Como os aparelhos de ar-condicionado costumam ser responsáveis por fatia importante da conta em períodos de calor, qualquer redução consistente é percebida rapidamente, incentivando ainda mais ajustes de uso e manutenção.
Por fim, vale lembrar que hábitos gerais da casa também influenciam na necessidade de uso do ar. Evitar uso pesado de forno e fogão nos horários mais quentes, preferir lâmpadas LED e desligar equipamentos em stand-by contribui para manter a temperatura interna mais baixa. Pequenas mudanças combinadas — da escolha do aparelho ao jeito de usar — podem fazer diferença significativa no fim do mês, garantindo conforto térmico com impacto menor no orçamento familiar.
FONTES: Guias de eficiência energética da Eletrobras/Procel; manuais de fabricantes de ar-condicionado; orientações de distribuidoras de energia e de órgãos de defesa do consumidor.
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