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| Nina Bitencour, graduanda em Letras, na UFRGS (reprodução) |
Professora
da UFRGS assedia aluna que levou filha para a sala de aula. Durante festival de
grosserias, sobrou até para a criança
Nina
Bitencourt mora em Porto Alegre e é estudante de Letras, na Universidade
Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Também é mãe da pequena Anya, de cinco
anos. Com todas as dificuldades de criar uma filha e conciliar os estudos, Nina
persiste na caminhada e continua na universidade. Mas, infelizmente, há sempre
algumas pedras pelo caminho. De onde menos se espera: de uma professora.
Na
última quinta-feira, Nina precisou levar a filha para a sala de aula, mas a
professora não reagiu bem à presença de Anya. A mãe compartilhou um relato
sobre o episódio no Facebook. O texto já tem mais de 11 mil compartilhamentos.
“Entrei
na sala, dei oi e fui seguindo pra me sentar. A professora me olhou com um ar
de incredulidade e, sem sequer me responder o cumprimento, iniciou um
sistemático questionário sobre a minha filha: ” ELA VAI ENTRAR NA AULA?”; “ELA
PODE ASSISTIR AULA?”; “ELA NÃO VAI SE CHATEAR E INCOMODAR A AULA?”; “TU NÃO TEM
CRECHE PRA DEIXAR ELA?”; “NENHUM PARENTE PODE FICAR COM ELA PRA TI?”; “TEM
CERTEZA”. Respondi pacientemente às perguntas e expliquei que ela estar ali
comigo era o modo de garantir minha permanência na universidade.
Mesmo
explicando a necessidade da filha estar presente na sala de aula, a professora
reagiu de forma negativa, com olhares raivosos para a criança. Depois de 15
minutos de aula, a professora indagou o motivo de Nina não deixar a filha com
outra pessoa:
“Até
que, num certo momento, após uns 15 minutos de aula e sem nada ter sido feito
da parte da minha filha pra provocar tal reação, a professora explode repetindo
a pergunta: “MAS TU NÃO TEM MESMO COM QUEM DEIXAR ELA?”.
A
mãe não aceitou o assédio da professora e se retirou da sala. Muitos colegas
tentaram intervir na discussão, tentando apoiar Nina. Em seu relato, ela conta
que foi até a Comissão de Graduação para apresentar queixa.
“Fui
até à Comissão de Graduação e, enquanto eu era orientada quanto às medidas
cabíveis, a professora apareceu e continuou falando, justificando, se exaltando
e repetindo NA FRENTE DA MINHA FILHA o quanto ela estava atrapalhando porque
estava BRINCANDO. Não respondi, me dirigi à funcionária da Comissão agradecendo
e dizendo que ia abrir o processo por assédio moral e que não tinha mais nada
pra falar com a professora.
Nina
conta que a criança ficou sem entender nada e se sentiu culpada por ver a mãe
saindo da aula. “O que eu fiz pra deixar minha mãe triste assim? Por que minha
mãe foi expulsa da aula por minha culpa? Essas duas perguntas encheram a cabeça
da Anya”, conta.
O
que diz a lei
Pela
lei nº 6.202 (criada em 1975) universitárias têm direito ao chamado regime
domiciliar: a partir do oitavo mês de gestação, durante três meses, podem
compensar a ausência nas aulas com trabalhos feitos em casa. O que determina o
início e o fim desse regime é o atestado médico apresentado pela aluna.
Na
visão de especialistas, documentos como o Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA) e a Constituição resguardam os direitos de mães e filhos, se sobrepondo a
regras ocasionais criadas pelas instituições de ensino.
Nina
é uma entre milhares de mães que lutam pelo direito de continuar estudando e
lutando pelo futuro de seus filhos. No seu relato no Facebook, ela criticou o
fato de a mulher mãe ser excluída de qualquer oportunidade na sociedade:
“A
maternidade e o quanto ela causa a exclusão da mulher no mercado de trabalho,
na escola e na universidade é uma pauta que grita por visibilidade dentro dos
movimentos sociais. Eu vou perder a cadeira, não tem condições de seguir
assistindo aula com uma pessoa dessas. O que alguém assim pode me ensinar?
Entrei grávida na universidade e estou 4 semestres atrasada do meu tempo de ter
me formado, porque sou mãe e preciso trabalhar nos horários que a UFRGS
disponibiliza as aulas. O questionamento que quero deixar com esse breve relato
é: Quantas mães não assistiram aula por causa dos seus filhos hoje? Quantas
mães não conseguiram emprego por causa dos seus filhos hoje? E quantas mais
serão excluídas por serem mães amanhã?”
Fonte:
pragmatismopolitico

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