| Como ela se associaria a um governo golpista e ilegítimo? |
Por
Paulo Nogueira
O
governo Temer nasceu tecnicamente morto.
Ele
não anda – se arrasta.
O
ministério da “Salvação Nacional” é o retrato acabado disso.
Temer
dissera que ia montar um ministério de “notáveis”.
Ora,
ora, ora.
Que
notável quer sujar sua imagem num governo como este golpista, liderado por um
zé mané traidor e nascido de um gangster como Eduardo Cunha?
Que
notável quer ser chamado de golpista nos aeroportos do país, como tem se visto
com frequência?
Que
notável quer pertencer a um governo do PMDB, o que existe de mais putrefato na
política nacional?
Deu
no que tinha que dar. Em vez dos notáveis, implicados na Lava Jato.
Para
coroar tudo, nenhuma mulher, algo que não acontecia desde o general Geisel, na
ditadura militar.
E
então aparecem as tentativas de consertar esse erro. Acaba de vir a público o
fracasso da missão confiada a Marta Suplicy de levar uma mulher para Brasília.
O
site Glamurama, de Joyce Pascovitch, informou neste final de semana que Marta
tentou convencer Marília Gabriela a ir para a Secretaria Nacional da Cultura.
A
resposta foi não.
Marília
Gabriela teria que responder a um certo Mendonça Filho, aquele que foi recebido
sob gritos de golpista pelos funcionários do Ministério da Cultura.
Mendonça
Filho é conhecido por ter criticado ferozmente um dos maiores acertos do PT na
educação, o Prouni. É um programa que levou jovens excluídos às universidades
em número inédito neste paraíso da desigualdade.
Imaginar
que Marília Gabriela entraria numa fria dessas é o triunfo da obtusidade
delirante.
Ela
tem uma imagem a preservar.
Não
chega a surpreender que Marta Suplicy tivesse aceitado a encomenda fracassada.
Marta vive num universo paralelo desde que a inveja a transformou num monstro
moral e numa golpista descarada.
Marta
saiu do PT, movida pelo ódio, e foi dar nos braços do PMDB de Cunha dizendo
bravatas hipócritas anticorrupção.
Traiu,
com seu voto pelo golpe, os milhões de eleitores que a fizeram senadora. Nenhum
deles a pôs no Senado para fazer o que fez.
Marília
Gabriela se saiu bem do convite ao recusá-lo. Marta Suplicy se saiu
terrivelmente mal ao formulá-lo.
E
o governo Temer teve mais uma demonstração de que acabou antes de começar.
Num
vídeo que está viralizando neste momento, o jornalista Jorge Pontual,
correspondente da Globo em Nova York, admite num programa da GloboNews que a
imprensa internacional se ergueu contra Temer e as circunstâncias obscuras do
golpe, para não dizer sinistras.
O
mundo vai vendo o que os brasileiros informados sabiam faz tempo. Nada daquilo
– Lava Jato, Moro, campanha da Globo e da Veja – foi contra a corrupção. Foi
contra Lula, Dilma e o PT.
O
objetivo, longe de ser o de acabar com a corrupção, é poder continuar com ela
sem consequências, como sempre ocorreu.
No
mesmo ministério sem mulheres acotovelam-se sete investigados da Lava Jato.
Seria
incrível que, nestas circunstâncias, Marília Gabriela topasse se juntar a um
governo infame, ilegítimo e marcado para morrer num mar de vergonha nacional e
mundial.
Fonte:
DCM
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