Dirigente do setor financeiro afirma ter sido enganado por promessas de responsabilidade fiscal e reformas, denuncia aventura golpista e vê o bolsonarismo como risco permanente à estabilidade econômica
Ricardo Lacerda (Foto: Reprodução/Brazil Journal)
Um influente banqueiro, que apoiou Jair Bolsonaro em 2018 sob a promessa de uma guinada liberal na economia, passou a acusar nos bastidores o ex-presidente de ter aplicado um “golpe” na própria direita. Segundo relatos publicados por colunistas de Brasília, o executivo afirma que empresários embarcaram em um projeto vendido como responsável e reformista, mas receberam no lugar uma agenda de conflito permanente com as instituições e desprezo pelas regras fiscais.
O desconforto se transformou em revolta após a revelação de planos concretos de golpe de Estado, minuta para reverter o resultado das eleições e participação de figuras do alto comando militar em articulações golpistas. Para o banqueiro, a insistência de setores da direita em manter Bolsonaro como referência – mesmo condenado e preso – só prolonga a percepção de risco político, encarece investimentos e dificulta a construção de uma alternativa competitiva contra Lula nos próximos anos.
A crítica ecoa a avaliação de parte do mercado de que o bolsonarismo, ao misturar radicalismo político com improvisação econômica, minou a credibilidade do discurso liberal no país. Nesse diagnóstico, a prisão do ex-presidente e o desgaste do clã abririam espaço para uma direita “pós-Bolsonaro”, desde que consiga se desvincular claramente de golpes, fake news e ataques à democracia.
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