Michel
Temer indicou a primeira mulher que irá assumir um cargo de destaque eu seu
governo. É Maria Silvia Bastos Marques nova presidente do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A
escolha foi muito elogiada pela “equipe econômica” e pela burguesia. Já a
imprensa tratou logo de fazer propaganda de suas características que serão
importantes para a aplicação dos planos do governo golpista. Em uma tentativa
de convencer a população com a falsa ideia de que a política econômica será
positiva para o Brasil e os brasileiros.
O
perfil dela feito pela Folha de S. Paulo destaca o fato de ser mulher (afinal
Temer foi criticado pela composição do governo sem mulheres em cargos de
comando) e especialista em privatizações.
Ela
deu aulas de economia na PUC do Rio de Janeiro, de 1982 a 1990, “universidade
que formou economistas ditos ortodoxos ou liberais que tiveram grande
influência na política econômica dos anos 1990”.
Segundo
o jornal, é “uma executiva muito bem-sucedida, que se formou na academia e no
trabalho nos tempos da onda de liberalização da economia, iniciada nos anos do
governo de Fernando Collor (1990-92) e de FHC”.
Nessa
época, ainda no governo Collor, “trabalhou no Ministério da Economia, na
renegociação da dívida externa e em acordos com o FMI [Fundo Monetário Internacional].
Era coordenadora da área externa da secretaria de Política Econômica, comandada
por Antonio Kandir. De abril de 1991 até o impeachment, outubro de 1992, esteve
no BNDES”.
Aí
começou sua carreira especializada em privatizações. “Trabalhou no programa de
desestatização, ocupando-se da privatização da Embraer e de empresas do setor
petroquímico”.
O
jornal O Globo chama atenção para esse fato. Já que uma “contribuição esperada
de Maria Silvia é aos programas de concessão e venda de ativos de empresas
públicas, parte importante do projeto econômico de Michel Temer. Ela já
trabalhou com o tema em profundidade, quando era assessora especial para
Assuntos de Desestatização do BNDES”.
Assumiu
cargo na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) depois da privatização “de 1996 a
2002. A companhia havia sido privatizada em 1993, adquirida por um grupo
liderado por Benjamin Steinbruch”.
“Assumiu
a empresa grávida de gêmeos” destaca a Folha de S. Paulo dando valor mais uma
vez ao caráter de mulher moderna e arrojada. Isso depois de Temer ter ficado
conhecido pela esposa “bela, recatada e do lar”.
O
jornal paulista fala como se fosse um mérito o golpe contra o patrimônio
nacional que foi a venda das estatais por valores muito inferiores ao seu valor
de mercado; e afirma que ela “contribuiu para a elaboração das regras das
privatizações e coordenou a regulamentação da controversa autorização do uso de
‘moedas podres’ como parte do pagamento da compra de estatais. ‘Moedas podres’
eram alguns títulos da dívida pública que puderam ser usados na aquisição de
estatais por valor muito maior que tinham no mercado secundário”.
Outro
dado relevante é que quando foi “convidada para assumir cargos no governo FHC,
Marques era ligada ao PFL, Partido da Frente Liberal, hoje Democratas, DEM. Mas
era um nome, como se dizia então e agora, ‘técnico'”.
Os
elogios da burguesia foram transmitidos pelo jornal fluminense. Paulo Skaf da
Federação das Indústrias do Estado de S. Paulo (Fiesp), financiador e
propagandista do golpe que levou Temer ao governo falou: “A Maria Silvia é uma
pessoa séria e sem dúvida prestará um bom serviço ao Brasil”.
José
Carlos Rodrigues Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da
Construção (CBIC), “considerou positiva a mudança no comando do BNDES. Segundo
ele, Maria Silvia já conhece o funcionamento do banco, além de ter experiência
nos setores público e privado, bem como em conselhos de administração de
diversas empresas, como Petrobras, Vale, Souza Cruz e Estácio Participações.
‘Novos investimentos demandam mais credibilidade. E Maria Silvia pode trazer
essa confiança. Foi uma escolha inteligente, pois ela conhece o setor privado,
o setor público e sabe como o banco funciona. Mas, claro, há desafios neste
momento, como colocar de pé um modelo de financiamento que não fique restrito a
poucas empresas. É preciso uma mudança de modelo que atenda a mais companhias e
democratize o acesso a recurso’ destacou Martins”.
A
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) foi além. “Disse
que a escolha representa ‘mais um grande acerto na formação da equipe do novo
governo’. Ao destacar sua trajetória, como a atuação no setor privado ao longo
dos anos 1990, a entidade lembrou a experiência da economista com
privatizações. ‘E a venda de ativos públicos é uma iniciativa essencial dentro
de uma nova política para a questão fiscal, como alternativa ao aumento de
impostos, que permite a geração de receita de forma mais rápida e contribui
para reduzir o desequilíbrio das contas públicas’, destacou a Firjan”.
A
imprensa capitalista, os que serão os maiores beneficiados pelo governo
golpista e o próprio governo não escondem que o objetivo da equipe econômica é
aplicar a política do Estado mínimo, da privatização, do arrocho etc.
O
BNDES é o principal banco de fomento nacional. Tem hoje R$ 931 bilhões em
ativos e desembolsou R$ 136 bilhões para empréstimos ano passado. Deveria ser
um instrumento para impulsionar a economia e caiu, como toda a política
econômica, nas mãos dos vampiros vampiro privatistas do DEM-PSDB. Essa é a
verdadeira face do governo do Temer-PMDB.
A
escolha de Maria Silvia demonstra extrema coerência. Seu perfil e a reação dos
capitalistas a credencia para aplicar o programa da direita, o programa do
golpe, que é o oposto daquele escolhido pela maioria da população nas últimas
eleições.
Fonte:
causaoperaria

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