Texto
de Silvia Badim.
Os
direitos humanos no Brasil são garantidos na Constituição de 1988. Nela, a saúde
é “direito de todos e dever do Estado”. O SUS (Sistema Único de Saúde) foi
criado pela mesma constituição. O atendimento é obrigatório a qualquer cidadão
e é proibido a cobrança de dinheiro sob qualquer pretexto. Sabemos de todos os
problemas do SUS, mas em pouquíssimos países do mundo qualquer pessoa tem
direito de ser atendida numa unidade de saúde sem pagar nada por isso. Então,
saiba que você pode ter plano de saúde, nunca ter entrado num hospital público
e mesmo assim, usa o SUS.
Você
usa o SUS quando vai na padaria, inspecionada pela vigilância sanitária. Você
usa o SUS quando compra um medicamento na farmácia, um cosmético ou um
desinfetante. Você usa o SUS quando os agentes de saúde inspecionam residências
para prevenir a dengue. Você usa o SUS que não aparece quando controla o preço
e a cobertura do seu plano de saúde. Você usa o SUS se pensa que, depois de 88,
a saúde é um direito de quem não tem como pagar por ela.
Você
usará o SUS se porventura se acidentar no trânsito e for resgatada pelo SAMU ou
pelos bombeiros. Você usará o SUS se porventura tiver AIDS, Hepatite ou
qualquer DST. Você usa o SUS que está tentando prevenir que você fique doente,
através de diversas ações de promoção e prevenção da saúde. Você usa o SUS
quando o plano de saúde não cobre o medicamento ou o tratamento caro e você vai
parar no serviço público de saúde.
Sim,
o SUS tem falhas. Inúmeras. Sim, prover saúde a toda população é um desafio
imenso. Sim, faltam hospitais, leitos, médicos, servidores, há casos de
violência no atendimento. Mas, acreditem, hoje temos muito, muito mais do que
já tivemos. E precisamos da participação de toda sociedade para melhorar.
Essa
semana recebi uma mensagem que dizia: “Prefiro ver meu povo morrer por opressão
militar, do que nos hospitais públicos”. Gostaria de dizer a essa pessoa que na
época da ditadura militar não era nada melhor. E que o Estado continua matando
e exercendo sua ditadura racista em qualquer periferia desse país. Gostaria de
dizer a essa pessoa que se você quer lutar pelo seu país e quer um povo com
saúde, por que não começa conhecendo o sistema público?
Vá
a secretaria de saúde do seu Município. Veja as contas públicas, tente entender
o orçamento destinado à saúde, as ações e políticas delineadas. Procure os
órgãos que estão trabalhando pela defesa do direito à saúde, como o Ministério
Público ou a Defensoria Pública de sua cidade, para denunciar falta de
atendimento ou ausência de serviços. Denuncie na Ouvidoria do SUS por meio do
número 136. Conheça o Conselho de Saúde do seu Município, procure uma
associação de bairro, uma associação de defesa da saúde. Saia do sofá da sua
sala e vá atrás de ser cidadã ao invés de se vestir de verde-amarelo uma vez
por mês e dizer algo que nem você sabe o que é. Ser cidadã dá trabalho, mas
vale a pena. O SUS ainda pode ser seu melhor plano de saúde.
Fonte:
blogueirasfeministas

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