do
Instituto Lula
Na
noite desta quarta-feira (18), o Jornal Nacional publicou matéria sobre
denúncia da Procuradoria-Geral da República que corre sob sigilo de justiça.
Além de configurar um vazamento ilegal, o contato por uma resposta do Instituto
Lula foi feito apenas às 20:09 da noite, 20 minutos antes do jornal ser levado
ao ar e 40 minutos antes da matéria ser veiculada. O prazo dado para a resposta
foi de 26 minutos.
A
produção da reportagem, que contou com material gráfico e passagens externas da
repórter Camila Bomfim, indica que não se trata de matéria produzida de última
hora. No improviso, apenas o contato para que o ex-presidente pudesse oferecer
sua versão dos fatos, embora, com prazo tão reduzido, tenha sido impossível
oferecer mais que uma nota oficial.
Apesar
do prazo absurdo, a assessoria do Instituto Lula enviou nota ao Jornal Nacional
às 20:31. A nota rebate as supostas "provas" apresentadas na denúncia
da PGR e explica o caso. Trata-se de material que, analisado sob um jornalismo
sério e criterioso, precisaria ter suas afirmações checadas e poderia até mudar
os rumos da apuração. Pelo contrário, o Jornal Nacional preferiu censurar o
texto e dar o caso por encerrado: apenas o primeiro parágrafo foi lido no ar.
Ou
seja, efetivamente, a TV Globo, pelas mãos da repórter Camila Bomfim, produziu
reportagem completamente alheia ao "outro lado", transformando o
diálogo com o alvo de acusações inverídicas sendo divulgadas ilegalmente em um
gesto apenas protocolar.
Leia
a íntegra da nota:
O
ex-Presidente Lula já esclareceu em depoimento prestado à Procuradoria Geral da
República, em 8 de março, que jamais conversou com o ex-Senador Delcídio do
Amaral objetivando interferir na conduta do condenado Nestor Cerveró ou em
qualquer outro assunto relativo à operação Lava Jato.
O
acordo de delação premiada negociado entre o Ministério Público Federal e
Delcídio do Amaral com a finalidade de permitir que o ex-senador saísse da
prisão e tivesse as penas abrandadas não tem o poder de alterar essa realidade.
Primeiro, porque delação premiada não é meio de prova, mas "meio de
obtenção de prova", como já decidiu o Supremo Tribunal Federal (IQ
4.130-QO). Segundo, porque a narrativa apresentada por Delcídio como parte
desse acordo em relação a Lula é mentirosa e incompatível com afirmações
anteriores, emitidas de forma espontânea. Exemplo disso é a gravação feita por
Bernardo Cerveró, divulgada pela imprensa, em que Delcídio não menciona
qualquer atuação do ex-Presidente em relação a Nestor Cerveró ou à Lava Jato.
Os
depoimentos prestados por Nestor Cerveró nos processos da Lava Jato deixam
claro que quem de fato tinha temor das revelações era Delcídio, pois a ele
vieram ser imputadas graves acusações.
O
Procurador Geral da República também fez referência a chamadas telefônicas
entre um número atribuído a José Carlos Bumlai e a outro que seria utilizado
por Lula. No entanto, os extratos anexados na peça processual revelam apenas a
existência de chamadas entre dois terminais. Não permitem concluir que as
pessoas referidas efetivamente conversaram e muito menos saber o assunto
tratado.
Também
é citado um e-mail do Instituto Lula sobre uma reunião agendada entre o
ex-Presidente e Delcídio do Amaral. O documento apenas demonstra que Delcídio
pediu uma reunião com Lula e nada mais. Lula já esclareceu em depoimento que
seus contatos se restringiam à função de Delcídio como líder do governo.
O
ex-Presidente tem a sua vida investigada há 40 anos e já foi submetido a
condução coercitiva que o privou da liberdade sem previsão legal, além de ter
sofrido reprovável devassa em sua vida, na de seus familiares e até mesmo na
relação com seus advogados. Nem mesmo esse abuso de autoridade permitiu a
identificação de qualquer elemento que pudesse indicar a prática de um ato
ilícito, porque Lula sempre agiu dentro da lei antes, durante e depois de
exercer dois mandatos como presidente da República.
Fonte:
jornalggn

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