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| Trabalhadores do teatro não tinham reconhecimento frente aos da TV / EBC |
Tico Santa Cruz
Antigamente
as pessoas que queriam viver de arte eram chamadas de vagabundas. Diziam que
era coisa de drogado, de quem não tinha capacidade de arrumar um emprego
"decente". Só não era vagabundo quem era famoso. Os artistas de
novela, os cantores famosos, quem estivesse na TV, ou nos jornais e revistas,
tinham outro tratamento.
Já
a turma do teatro, pintores, artistas plásticos e toda uma gama de pessoas que
produziam arte, que lutavam para viver disso, não tinham qualquer
reconhecimento.
Pois
bem, voltamos no tempo e estamos parados no passado. As pessoas estão gritando
aos quatro cantos que “artista é vagabundo”, que se sustenta das “tetas
públicas”, de leis de incentivo, e mais um monte de barbaridades.
Não
vou tentar convencer ninguém. Só quero dizer uma coisa. Cuidado com quem vocês
estão acariciando nesse momento. Cuidado com o que estão tomando como verdade
para descarregar o ódio que tomou conta de parte da população.
A
arte é objeto de transformação, é um dos pilares da humanidade na formação das
civilizações, dos povos, das sociedades. Sem arte a vida seria um tédio
completo, e nossa existência seria resumida a doutrinas que nos tornariam
apenas escravos.
Faça
uma coisa. Passe uma semana sem ouvir uma música, sem assistir uma novela, sem
ir ao teatro, sem ler um livro, ver um filme, olhar para uma escultura, ou para
um quadro. Fique um tempo sem dançar, sem recitar uma poesia e me diga o que
resta da sua vida. Talvez assim você entenda qual é o valor da arte no seu dia
a dia e o valor de um artista na formação da sociedade.
Fonte:
brasildefato

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