VTR

6/recent/ticker-posts

Fux abandona plenário do STF após acalorada troca com Gilmar Mendes sobre Lava Jato

 Ministro deixa sessão após ser alvo de ataques: “faça terapia” e “figura lamentável”, diz Mendes

Imagem: Reprodução/BVO

Brasília Na tarde de 15 de outubro de 2025, durante sessão no plenário do Supremo Tribunal Federal em Brasília, o ministro Luiz Fux deixou abruptamente o local após uma troca de farpas com o colega Gilmar Mendes. O episódio ocorreu em meio a críticas acaloradas de Mendes à Operação Lava Jato, que teriam sido direcionadas a Fux, gerando constrangimento e tensão institucional. 

O que gerou o conflito

Gilmar Mendes retomou críticas ácidas à Lava Jato durante voto que tratava de valores oriundos de condenações trabalhistas. Ele acusou procuradores de “cretinos” e sugeriu que Fux buscasse terapia para se “livrar da Lava Jato”. 

Em um momento, Mendes chamou Fux de “figura lamentável” e disse que o colega precisaria “fazer terapia” diante da obsessão com casos da Lava Jato.

Relatos indicam que já existia tensão entre os dois ministros minutos antes, quando Fux havia pedido vista de recurso contra decisão que tornara o ex-juiz Sérgio Moro réu por calúnia contra Mendes — episódio que passou a alimentar os ânimos na Corte. 

A saída de Fux e repercussão imediata

Após a escalada verbal, Fux se levantou e deixou o plenário, sem retornar até o encerramento da sessão. 

A saída foi interpretada como gesto de protesto ou recuo institucional diante da agressividade das acusações feitas por Mendes.

Durante sua fala, Gilmar continuou com críticas contundentes ao modelo da Lava Jato e à confluência entre Ministério Público e juízo em Curitiba, afirmando que “foi verificado desvio flagrantemente ilegal” e que houve fundação de fundos para administrar valores penais.

Contexto institucional e histórico de atritos

O episódio alimenta tensões antigas entre ministros sobre o legado da Lava Jato, especialmente em relação ao papel do STF no controle de abusos judiciais e do MP.

Gilmar Mendes historicamente vem criticando a Lava Jato como um instrumento excessivo de poder do MP e juízes de Curitiba, acusando-os de usurpar prerrogativas constitucionais e agir com parcialidade. 

Por sua vez, Fux, ao longo de seu mandato no STF, já protagonizou polêmicas ao pedir vistas ou deslocar votações em casos sensíveis, o que alimenta percepções de que adia decisões conflituosas. 

Possíveis consequências e riscos institucionais

O episódio coloca em evidência a fragilidade relacional entre ministros, especialmente em casos sensíveis que mesclam causas judiciais e repercussão política.

Se não for administrado com cautela, pode gerar crise de legitimidade da Corte, com acusações mútuas de parcialidade e desrespeito institucional.

Também pode afetar julgamentos pendentes relacionados à Lava Jato, à atuação do Ministério Público e aos limites entre poderes — aumentando a politização do Supremo.

Impacto para o público e para o cenário jurídico

Para cidadãos e observadores, o episódio reforça a impressão de que o STF não está imune às disputas internas e aos embates ideológicos.

Casos emblemáticos, especialmente os que envolvem corrupção de grande porte, podem sofrer atrasos ou contornos mais cautelosos para evitar novos atritos.

O episódio também estimula debates públicos sobre transparência, independência judicial e o risco de transformações judiciais serem capturadas por disputas de poder.

Este conteúdo segue nosso Manifesto Editorial .
Reactions
Este conteúdo segue nosso Manifesto Editorial — compromisso com a verdade e o jornalismo responsável.

Postar um comentário

0 Comentários