Autoridades afirmam que entre os mortos estão suspeitos de tráfico e dois agentes de segurança; operação é uma das mais letais da história do estado
Megaoperação Policial nos Complexos do Alemão e Penha — Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo
Uma megaoperação das forças de segurança do Rio de Janeiro deixou ao menos 60 mortos nesta segunda-feira (27), na região metropolitana e no interior do estado. Segundo informações da CNN Brasil e do G1, a ação tinha como alvo integrantes da facção Comando Vermelho (CV), acusados de envolvimento com o tráfico de drogas, roubos e homicídios.
A Secretaria de Segurança Pública confirmou que entre os mortos estão pelo menos 12 suspeitos identificados como membros do CV e dois agentes — um policial civil e um militar — que teriam sido atingidos durante confrontos. A operação envolveu o Bope, a Polícia Civil e a Polícia Militar, com apoio de helicópteros e veículos blindados.
De acordo com o O Globo, as ações ocorreram em comunidades da Zona Norte e da Baixada Fluminense, onde as forças policiais afirmam ter encontrado depósitos de armas e drogas. Foram apreendidos fuzis, granadas e munições em grande quantidade.
Organizações de direitos humanos criticaram a letalidade da operação, chamando atenção para o alto número de mortos e possíveis excessos. A Anistia Internacional e a Defensoria Pública solicitaram informações detalhadas sobre o planejamento da ação e o acompanhamento do Ministério Público.
O governador Cláudio Castro declarou que o objetivo da operação foi “desarticular uma das principais estruturas do crime organizado no estado”. Segundo ele, o enfrentamento “segue as diretrizes da lei e busca garantir a segurança da população fluminense”.
Já especialistas em segurança pública alertam que a escalada de confrontos indica falhas estruturais na política de combate ao tráfico. O sociólogo Ignácio Cano, ouvido pela BBC Brasil, afirmou que “operações desse tipo, sem inteligência e sem controle, aumentam o número de vítimas e reduzem a credibilidade do Estado”.
Moradores de diversas comunidades relataram tiroteios intensos e interrupções em escolas e postos de saúde. O clima é de medo e tensão, com relatos de pessoas desaparecidas e dificuldades para o socorro chegar a áreas isoladas.
O caso reacende o debate sobre o uso da força nas favelas e a necessidade de estratégias integradas que priorizem inteligência e redução de danos. O Ministério da Justiça afirmou que acompanha a situação e pedirá relatórios sobre a operação.
Fontes: CNN Brasil, G1, O Globo, BBC Brasil.
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