Após massacre com mais de 130 mortos, polícia abre inquérito para apurar suposta fraude processual cometida por civis ao resgatar corpos de vítimas.
Imagem: Bruna Fantti/Folhapress
Imagem: Bruna Fantti/Folhapress
Mesmo após o massacre que abalou o Rio de Janeiro, a tragédia ainda se aprofunda. A Polícia Civil do Estado anunciou que irá investigar moradores que participaram da retirada dos corpos das vítimas da mata, acusando-os de “fraude processual”.
A decisão gerou revolta entre familiares das vítimas e organizações de direitos humanos, que consideram o ato uma inversão de valores. Para muitos, o Estado, em vez de punir os responsáveis pelas mortes, tenta criminalizar quem tentou dar dignidade aos mortos.
As imagens de homens e mulheres retirando corpos com lençóis e macas improvisadas rodaram o mundo, tornando-se símbolo da barbárie. Agora, essas mesmas pessoas estão sob investigação.
O caso reacende o debate sobre a postura da polícia fluminense e sobre o abuso de autoridade. Entidades apontam que, ao focar nos moradores, o governo tenta desviar o foco das execuções em massa que marcaram a operação.
O governador Cláudio Castro defendeu a apuração e afirmou que “nenhuma interferência no local de crime pode ser tolerada”. A fala foi interpretada como tentativa de sustentar a narrativa de que a operação foi “técnica e bem-sucedida”.
Familiares das vítimas, porém, classificaram a medida como desumana. “A polícia matou e agora quer calar quem viu”, disse uma moradora em entrevista à imprensa.
O Ministério Público acompanha o caso e estuda pedir federalização parcial da investigação, temendo manipulação de provas. A Procuradoria-Geral da República também requisitou relatórios da operação.
Fontes: G1, UOL Notícias, El País Brasil,
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