Cheia foi agravada por chuvas fortes no início do ano; outros municípios já estão abaixo da cota de alerta
Imagens do Rio Acre, que superou a cota de inundação (Clemerson Ribeiro/Anac) |
O nível do Rio Acre em Rio Branco superou a cota de inundação ao atingir 14,55 metros, segundo medições divulgadas por órgãos de monitoramento hidrológico. A marca coloca áreas ribeirinhas em situação de atenção, com registros de alagamentos pontuais e acionamento de equipes de defesa civil para acompanhamento de famílias mais vulneráveis. A cheia atual é resultado de um acúmulo de chuvas intensas no início de 2026, somadas a uma elevação anterior do rio no fim do ano passado.
Especialistas explicam que o comportamento do rio está dentro de um padrão de cheias conhecido na região, mas reforçado por episódios de precipitação mais concentrada em curto período. O pesquisador Artur Matos, do Serviço Geológico do Brasil, aponta que a cheia do fim de 2025 deixou o sistema já em nível elevado, de modo que novas chuvas rapidamente empurraram o nível acima da cota de inundação. Mesmo assim, não se trata, até o momento, dos maiores patamares já registrados na capital acreana.
A expectativa técnica é que o Rio Acre esteja atingindo o pico em Rio Branco, o que significa que, na ausência de novos episódios intensos de chuva, a tendência é estabilizar e iniciar um processo de baixa gradual. Esse movimento depende, porém, do comportamento do tempo nos próximos dias, tanto na capital quanto em áreas a montante, onde afluentes contribuem para o volume acumulado. Previsões meteorológicas de curto prazo são, portanto, peça central para confirmar o cenário mais otimista.
Nos municípios de Xapuri, Brasiléia e Epitaciolândia, o quadro já é mais confortável, com níveis do rio abaixo das cotas de alerta. Em Xapuri, a marca atual está pouco acima de 11,6 metros, enquanto em Brasiléia e Epitaciolândia os registros ficam em torno de 5,8 metros, de acordo com boletins oficiais. Esses valores indicam que a onda de cheia mais crítica já passou nesses trechos, ainda que as defesas civis continuem em prontidão para eventuais mudanças em caso de novas chuvas.
Em Rio Branco, equipes municipais e estaduais monitoram áreas mais baixas, especialmente ocupações e bairros ribeirinhos, para identificar rapidamente famílias que precisem de remoção temporária. Abrigos estão de sobreaviso e planos de contingência incluem distribuição de cestas básicas, kits de limpeza e atendimento de saúde básica em caso de deslocamentos. A coordenação entre prefeitura, governo estadual e órgãos federais é considerada fundamental para evitar tragédias em cenários de enchentes rápidas.
A cheia atual reacende debates sobre ocupação de áreas de várzea e planejamento urbano em cidades amazônicas e de transição amazônica, como a capital acreana. Especialistas em meio ambiente lembram que a expansão desordenada de moradias em zonas de risco aumenta a exposição de populações já vulneráveis a eventos extremos. Programas de reassentamento, obras de drenagem e políticas de habitação social são apontados como caminhos de longo prazo para reduzir o impacto recorrente de enchentes.
Mudanças climáticas também entram na equação, com projeções que indicam aumento na frequência e intensidade de eventos extremos na Amazônia e em bacias vizinhas. Alternância de períodos de seca severa e enchentes intensas tende a desafiar a infraestrutura existente, desde pontes e estradas até sistemas de saneamento e abastecimento. No caso do Rio Acre, a combinação de desmatamento em áreas de nascente, mudanças no uso do solo e variações de chuva exige monitoramento permanente e respostas adaptadas.
Para a população de Rio Branco e entorno, o momento é de atenção, mas não de pânico. A recomendação é acompanhar alertas oficiais, evitar circulação em áreas alagadas, proteger documentos e bens essenciais e procurar abrigo seguro em caso de orientação da defesa civil. Se a curva de vazão se comportar como projetado, a cidade deve atravessar esta cheia com danos controlados, mas o episódio reforça a necessidade de planejar melhor a convivência com um rio que, ano após ano, lembra sua força.
FONTES: Agência Brasil; O Povo Online; Serviço Geológico do Brasil; boletins das defesas civis estadual e municipal do Acre.[opovo.com]
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