Os Estados Unidos travam uma guerra silenciosa pelos recursos que sustentam o futuro tecnológico do planeta — e o Brasil está no radar como próximo território de exploração.
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Por Fátima Miranda— Colunista - BVO
Há um novo tipo de guerra em curso no mundo. Uma guerra sem tanques, sem mísseis e sem bandeiras hasteadas. É a guerra das terras raras, os minerais estratégicos que movem a indústria tecnológica, os carros elétricos, os satélites e até as armas inteligentes. E, nessa disputa global, os Estados Unidos voltam a agir com o mesmo instinto predador que sempre os caracterizou.
Donald Trump, em especial, enxergou nas terras raras uma mina de poder político e econômico. Durante seu governo — e mesmo agora, em seus discursos de bastidor —, ele jamais escondeu o desejo de controlar a cadeia produtiva desses minerais, dominada hoje pela China. Mas, quando o alvo não é mais possível de ser vencido pela força, resta a velha estratégia imperial: mirar os aliados mais frágeis.
E é aí que entra o Brasil. Nosso país, riquíssimo em minérios estratégicos como nióbio, lítio, grafeno e manganês, tornou-se o “sonho úmido” das corporações americanas. O interesse não é de agora. Os EUA sabem que o Brasil é o único país das Américas capaz de rivalizar com a China em potencial mineral — mas falta a nós o que sobra a eles: projeto, soberania e coragem política.
A cobiça estrangeira veste o disfarce da “cooperação internacional”. Por trás dos acordos bilaterais, missões diplomáticas e promessas de investimentos, há uma operação muito mais ampla: a captura da infraestrutura mineral e tecnológica brasileira. Quando um país abre mão de explorar seus próprios recursos estratégicos, ele abdica de seu futuro.
Trump e seus sucessores entendem isso perfeitamente. O discurso da “liberdade econômica” serve apenas para mascarar o velho colonialismo disfarçado de globalização. Se o século XX foi marcado por golpes e ditaduras financiadas para garantir petróleo e banana, o século XXI será marcado pela disputa por terras raras — e o Brasil corre o risco de ser o novo quintal de mineração dos interesses externos.
Enquanto isso, parte da elite brasileira se comporta como serviçal de luxo: vende soberania a preço de ação na Bolsa de Nova York, entrega dados estratégicos, assina tratados de submissão e ainda posa de patriota. É o velho complexo de vira-lata travestido de diplomacia.
A dependência tecnológica é o novo tipo de escravidão. Se o Brasil continuar exportando minérios brutos e importando chips, baterias e semicondutores, estaremos condenados a ser eternos fornecedores de matéria-prima e consumidores do que os outros produzem com nossa própria riqueza.
Trump quer as terras raras, sim. Mas o que ele realmente deseja — e o que o império norte-americano persegue há séculos — é o controle sobre o que nos torna autônomos. E, enquanto o Brasil não entender que soberania não se terceiriza, continuaremos entregando o futuro com um sorriso e um contrato em inglês.
Por Fátima Miranda— Colunista - Blog Verdades Ocultas
Fontes (contextuais):

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