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Acordo entre China e EUA sacode mercado de soja e coloca produtores brasileiros em alerta

A retomada das importações americanas pela China reduz temporariamente a demanda pelo produto brasileiro, mas analistas avaliam que o Brasil pode se fortalecer se agir rápido.

Soja: De janeiro a setembro deste ano, o Brasil exportou 94 milhões de toneladas de soja, sendo 73 milhões destinadas à China (Freepik/Freepik)


O agronegócio brasileiro vive um momento de atenção máxima: com o avanço de negociações entre a China e os Estados Unidos, produtores brasileiros de soja já se preparam para uma possível retração temporária da demanda externa. Diferentemente da narrativa inicial de que o Brasil sairia como único beneficiário da guerra comercial EUA-China, o cenário agora se mostra mais complexo. Segundo dados da American Soybean Association (ASA), a China impôs tarifas elevadas aos produtos norte-americanos, o que abriu espaço para o Brasil aumentar exportações, mas o novo acordo pode virar o jogo. 

No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou mais de 77 milhões de toneladas de soja, das quais cerca de 57,9 milhões foram destinadas à China — um recorde para o período. 

Com o possível rompimento desse hiato comercial, o mercado estima que a China volte a comprar dos EUA e reduza o volume adquirido do Brasil, elevando a concorrência entre produtores brasileiros e americanos. Isso pode provocar queda de preços ou necessidade de buscar novos mercados para manter o volume exportado. Entretanto, o diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) acredita que “o Brasil está bem posicionado para aproveitar essa janela de oportunidade”, graças à sua colheita recorde — estimada em 169 milhões de toneladas — e à rede logística já consolidada. Successful Farming

Do ponto de vista nacional, agricultores se dividem entre otimismo e cautela. Em regiões produtoras como Mato Grosso e Paraná, já existem planos para diversificar culturas e abrir novo leque de exportação, incluindo grãos para o Oriente Médio e Sudeste Asiático. Especialistas em comércio internacional alertam, porém, que todo esse movimento implica ajustes na infraestrutura: portos, ferrovias e terminais de exportação precisam ampliar sua capacidade para não comprometer entregas e custo-logística. Um relatório da World Economic Forum (WEF) destaca que a redução de gargalos no Porto de Santos será decisiva para manter competitividade. 

Paralelamente, há questionamentos ambientais: com a expansão da soja brasileira para suprir mercados alternativos, cresce o risco de avanço da fronteira agrícola sobre biomas como o Cerrado e a Amazônia. ONGs e pesquisadores apontam que esse fator pode trazer barreiras comerciais no futuro, caso padrões de sustentabilidade não sejam mantidos. 

Em resumo: o Brasil pode sair como ganhador de curto prazo, mas precisa agir com estratégia para manter o ganho. A diversificação dos mercados, o investimento em infraestrutura e a atenção à sustentabilidade serão os pilares para que o país não dependa apenas do cenário EUA-China. 

Este conteúdo segue nosso Manifesto Editorial .
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