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Investimentos chineses transformam áreas degradadas em polos agrícolas sustentáveis no Brasil

Parcerias tecnológicas reconstroem ecossistemas e aumentam produtividade em regiões antes improdutivas do Cerrado e do Matopiba.
IMAGEM: REPRODUÇÃO WEB


O Cerrado brasileiro, conhecido por abrigar vastas áreas de pastagem degradada, começa a viver um novo ciclo de prosperidade e sustentabilidade. Impulsionadas por empresas chinesas de biotecnologia e energia verde, as iniciativas de recuperação de solos e agricultura de baixo carbono têm transformado áreas improdutivas em polos de alta produtividade.

O projeto, iniciado há cerca de dois anos, faz parte de um acordo de cooperação entre Brasil e China voltado à agricultura regenerativa e à descarbonização da produção rural. A meta é recuperar 2 milhões de hectares até 2030, utilizando técnicas como integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e biofertilizantes de última geração.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), já foram recuperados cerca de 450 mil hectares em estados como Mato Grosso, Tocantins, Bahia e Maranhão, com incremento médio de 35% na produtividade agrícola e redução de até 40% nas emissões de gases de efeito estufa.

As empresas chinesas envolvidas, como SinoAgro e GreenField China, têm investido não apenas em insumos, mas também em infraestrutura logística e digital, criando centros de monitoramento via satélite e plataformas de rastreabilidade que garantem a origem sustentável dos produtos exportados.

“O modelo brasileiro de integração entre lavoura e floresta é hoje uma referência mundial. A China enxergou nisso uma oportunidade de cooperação estratégica, tanto econômica quanto ambiental”, afirmou o pesquisador Luiz Fernandes, da Embrapa Cerrados.

Os agricultores participantes relatam que a parceria tem reduzido custos e ampliado o acesso a novas tecnologias. “Antes, essa área era improdutiva. Hoje, colhemos duas safras por ano e ainda mantemos reserva legal com mata nativa recuperada”, diz o produtor Rogério Alves, de Balsas (MA).

Organizações ambientais apontam que essa aproximação pode ser decisiva para equilibrar o desenvolvimento do agronegócio e a preservação dos biomas. Para elas, o desafio será garantir transparência nos contratos e responsabilidade socioambiental nas regiões envolvidas.

A iniciativa também fortalece a imagem do Brasil como potência agrícola sustentável, o que pode abrir portas para novos acordos comerciais com países da União Europeia e Ásia. O governo brasileiro pretende incluir os resultados do programa nos compromissos de redução de carbono da COP-30, que será sediada em Belém, em 2026.


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