Estrutura conjunta vai coordenar ações entre União, estado e municípios após operação mais letal da história do Rio de Janeiro.
Lewandowski e Cláudio Castro anunciam escritório emergencial para enfrentar crime organizado no Rio de Janeiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Lewandowski e Cláudio Castro anunciam escritório emergencial para enfrentar crime organizado no Rio de Janeiro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O governo federal e o governo do Rio de Janeiro anunciaram nesta quarta-feira (30) a criação de um escritório emergencial de segurança integrada para coordenar ações contra o crime organizado. A medida foi tomada após a operação policial mais letal da história do estado, que deixou mais de 120 mortos e reacendeu o debate sobre o colapso da segurança pública fluminense. (g1.globo.com)
O escritório funcionará em uma estrutura provisória no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e reunirá representantes da Polícia Federal, Forças Armadas, Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério da Justiça. O objetivo é integrar a inteligência e acelerar o compartilhamento de informações sobre facções, milícias e tráfico de armas.
De acordo com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o escritório “será o embrião de um novo modelo de governança da segurança pública nacional”. Ele destacou que o governo “não aceitará mais que o crime ocupe territórios, controle rotas e ameace o Estado brasileiro”.
O governador Cláudio Castro afirmou que a criação do escritório é “um passo fundamental para restabelecer o controle do território e reduzir o poder das facções”. Ele reconheceu que o estado “enfrenta um cenário dramático”, mas reforçou que a parceria com a União “abre uma nova perspectiva de combate ao crime de forma estruturada e permanente”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou as negociações por videoconferência e determinou prioridade máxima à ação. “O Rio de Janeiro não pode continuar sendo refém do medo. Vamos unir as forças do Estado para devolver segurança e dignidade ao povo fluminense”, declarou.
O novo escritório também servirá de modelo para futuras estruturas regionais de combate ao crime em outros estados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde há crescente presença de facções interestaduais.
Analistas de segurança pública consideram a medida necessária, mas alertam que ela precisa vir acompanhada de investimento social e políticas preventivas. “Não basta só reagir com operações. É preciso ocupar o território com educação, saúde e emprego”, afirmou o pesquisador Ignácio Cano, do Laboratório de Análise da Violência (Uerj).
O governo federal deve apresentar nas próximas semanas um plano de ação nacional contra facções criminosas, com medidas conjuntas de inteligência, rastreamento financeiro e controle de fronteiras.
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