Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro terá restrições reduzidas após mais de um ano sob monitoramento eletrônico.
Foto: Wilton Junior/ Estadao / Estadão
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Brasília – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (30) a retirada da tornozeleira eletrônica do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida será executada na próxima segunda-feira (3) e marca uma nova fase no processo que investiga o envolvimento de Cid na tentativa de golpe e em fraudes de cartões de vacina.
Segundo despacho do ministro, Cid continuará obrigado a comparecer periodicamente à Justiça e não poderá deixar o país sem autorização. No entanto, a decisão reconhece que o militar “vem cumprindo fielmente as medidas impostas e colaborando com as investigações”.
O pedido para flexibilização das cautelares foi apresentado pela defesa de Cid, que argumentou que o monitoramento eletrônico já durava mais de um ano e que o investigado “demonstrou boa-fé e disposição em cooperar com a Justiça”. Moraes acatou parcialmente o requerimento.
A tornozeleira foi imposta em maio de 2024, após o ex-ajudante de ordens ser solto da prisão preventiva. Desde então, Cid vinha prestando depoimentos à Polícia Federal e colaborando com o Ministério Público em processos relacionados à minuta golpista e à adulteração de dados de vacinação de Bolsonaro e familiares.
O ministro destacou, em sua decisão, que “o acompanhamento eletrônico cumpriu sua função de garantir a efetividade da investigação e assegurar o comparecimento do investigado a todos os atos processuais”.
Fontes ligadas à Polícia Federal afirmam que a colaboração de Cid foi “determinante” para o avanço de inquéritos que atingem o núcleo militar e político do antigo governo. A PF prepara novos relatórios sobre as mensagens e planilhas entregues pelo ex-ajudante, que teriam revelado movimentações suspeitas em 2022.
Aliados de Bolsonaro reagiram com cautela. Parte do grupo acredita que a medida sinaliza “distensão controlada” no Supremo, enquanto outros avaliam que a decisão pode abrir precedente para novos pedidos de flexibilização de medidas cautelares de investigados do mesmo caso.
Com a retirada da tornozeleira, Cid voltará a ter liberdade parcial de locomoção, mas continuará proibido de manter contato com outros investigados e de participar de atos políticos. O processo segue em tramitação sob sigilo na Corte.
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