Em prisão domiciliar, ex-presidente desabafa com aliados, admite desânimo e fala em “milagre” como única saída diante do impasse da anistia no Congresso.
Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo
A solidão política de Jair Bolsonaro se aprofunda. Em prisão domiciliar e com o futuro político em xeque, o ex-presidente tem confidenciado a aliados um sentimento de desalento e descrença em qualquer chance de retorno ao poder. Em conversas reservadas, Bolsonaro teria afirmado que “só um milagre” poderia mudar o cenário que se desenha contra ele.
Segundo relatos obtidos por interlocutores próximos, o ex-presidente passa a maior parte do tempo recluso e desmotivado, limitando contatos e se distanciando até mesmo de antigos apoiadores. O círculo político que antes orbitava ao seu redor encolheu drasticamente após as derrotas judiciais e o isolamento crescente.
A frustração também é alimentada pela paralisia do Congresso em relação à proposta de anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Parlamentares da base bolsonarista reconhecem que o tema perdeu força e não encontra apoio sequer entre líderes conservadores.
“Ele sente que foi abandonado. Esperava que houvesse uma reação mais forte dos aliados, mas o clima em Brasília é de distanciamento”, revela um ex-ministro que ainda mantém contato com o ex-presidente.
Bolsonaro também demonstra preocupação com o desgaste de sua imagem junto ao eleitorado. A percepção de impotência e derrota tem se refletido até nas redes sociais, onde a militância bolsonarista se mostra menos ativa.
Enquanto isso, lideranças do PL tentam se reposicionar, buscando novos caminhos de diálogo com o governo federal e com outras forças políticas, o que aumenta o sentimento de traição no entorno do ex-presidente.
A avaliação de analistas é de que o “bolsonarismo” entra numa fase de esvaziamento, perdendo sua capacidade de articulação e influência. Sem o protagonismo do líder, a direita radical parece fragmentada e sem rumo.
O pessimismo de Bolsonaro reflete, portanto, mais do que um desânimo pessoal: é o sintoma de um projeto político que entrou em colapso e não encontra substitutos à altura.
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