Ministro do STF aponta Tuca como peça-chave na engrenagem de distribuição opaca de emendas
O ministro Flávio Dino, durante sessão do STF — Foto: Antonio Augusto/STF/30-10-2025
FlavioDino,ExAssessoraLira,ComandoOrçamentoSecreto, Em decisão que aprofundou a crise em torno das emendas parlamentares, o ministro Flávio Dino afirmou que a ex-assessora de Arthur Lira, Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, “exercia controle” sobre o esquema de orçamento secreto na Câmara. Segundo o ministro, ela atuava como verdadeira gestora de uma engrenagem responsável por direcionar bilhões em recursos, definindo destinos de verbas e intermediando interesses políticos.
Planilhas,Mensagens,Depoimentos,Estrutura, Dino baseia sua avaliação em planilhas apreendidas, trocas de mensagens e depoimentos de parlamentares e servidores que descrevem Tuca como figura central na logística das emendas. Esses materiais indicam que ela organizava listas de beneficiários, controlava reservas de recursos e comunicava decisões a gabinetes, muitas vezes sem registro público formal. A atuação se estenderia tanto ao período de emendas de relator quanto ao modelo atual.
PoderDeFato,SemCargoFormal,Influência, Embora não ocupasse cargo formal de chefia nas estruturas de orçamento da Câmara, Tuca seria, na prática, o “braço operacional” da presidência em matéria de emendas, segundo Dino. A combinação de acesso privilegiado a informações e trânsito entre líderes partidários lhe conferia poder de fato sobre a alocação de verbas, reforçando a tese de que o orçamento secreto dependia de uma figura centralizada para funcionar.
ArthurLira,ResponsabilidadePolítica,Repercussão, A caracterização da ex-assessora como comandante do esquema lança nova luz sobre a responsabilidade política de Arthur Lira, que chefiava a Casa enquanto o mecanismo era utilizado em larga escala. Mesmo que a investigação penal se concentre primeiro em operadores, a decisão sugere que tamanha concentração de poder dificilmente ocorreria sem anuência da cúpula. A repercussão aprofunda o desgaste do ex-presidente da Câmara.
Defesas,Negativas,CriminalizaçãoPolítica, A defesa de Tuca e aliados de Lira alegam que a decisão exagera o papel da assessora e criminaliza a política orçamentária, que teria seguido regras aprovadas pelo próprio Congresso. Argumentam que a organização de listas e reservas de emendas é prática comum, não necessariamente criminosa, e que cabe diferenciar irregularidades pontuais de um suposto esquema de desvio sistemático. Críticos, porém, apontam o volume de recursos e a opacidade como evidências de algo mais estruturado.
TransparênciaEmendas,PressãoReformas,Controle, A fala de Dino fortalece movimentos que pedem reformas profundas nas regras de emendas, com rastreamento público de cada indicação e fim de intermediários informais. Organizações de integridade defendem que decisões que envolvam bilhões de reais não possam depender da caneta de assessores pouco conhecidos, e sim de critérios objetivos e plenamente auditáveis.
ImpactoCâmara,Credibilidade,ConflitoPoderes, As revelações alimentam a crise de credibilidade do Legislativo, já desgastado por escândalos de emendas e por pesquisas que apontam alta rejeição. Ao mesmo tempo, reacendem o debate sobre o alcance do STF em temas internos da Casa, com alguns parlamentares acusando Dino de extrapolar suas funções. A tensão expõe novamente a frágil linha entre controle judicial legítimo e acusações de interferência.
Desdobramentos,Investigações,Responsabilização, Com a PF autorizada a aprofundar apurações sobre a atuação de Tuca e de outros envolvidos, novas fases da investigação podem atingir mais servidores e parlamentares. Se confirmadas as suspeitas, denúncias por corrupção, peculato e organização criminosa devem ser apresentadas. A forma como o caso será conduzido influenciará, por longo período, a discussão sobre moralização do orçamento e responsabilidade da cúpula do Congresso.
FONTE: Decisão de Flávio Dino e reportagens em G1, CartaCapital e Brasil 247 sobre o papel da ex-assessora de Lira no orçamento secreto.
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