Apesar das barreiras, setor prevê receita de US$ 170 bilhões em 2025 e demonstra força da produção nacional
O agronegócio brasileiro deve fechar o ano com receitas históricas, alcançando o patamar de US$ 170 bilhões em exportações, mesmo sob efeito das tarifas impostas pelos Estados Unidos durante o governo Trump. Segundo dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), apenas nos primeiros dez meses de 2025, as exportações totais, especialmente de carne bovina e café, formaram uma receita recorde de US$ 14,655 bilhões—aumento de 36% em relação ao mesmo período do ano passado.
Entre julho e outubro, período de vigência das tarifas americanas, o Brasil conseguiu colocar US$ 44,7 bilhões em produtos agropecuários no mercado internacional, um avanço de 5,4% comparado ao mesmo trimestre de 2024. Embora as receitas provenientes dos EUA tenham caído para US$ 2,2 bilhões—28% a menos—o desempenho global compensou fragilidades pontuais, revelando diversificação de mercados e força negocial.
Na última semana, a política comercial do governo Trump sofreu reorientação, com redução de tarifas em cerca de 200 produtos alimentícios brasileiros, incluindo carne, café, manga e açaí, baixando de 50% para 40%. Essa vitória diplomática foi comemorada por entidades e produtores nacionais, que veem na conquista um sinal de maior abertura ao diálogo e valorização da produção nacional.
Para os especialistas em comércio exterior, o saldo positivo mesmo diante de adversidades reflete acertos na estratégia comercial do Itamaraty e nas políticas públicas de estímulo ao agro, que souberam contornar pressões globais e proteger cadeias produtivas vulneráveis.
Movimentos sociais e ambientalistas, no entanto, alertam para a necessidade de conciliar crescimento econômico com práticas sustentáveis, evitando retrocessos na legislação ambiental e políticas de proteção à biodiversidade. A pressão internacional por rastreabilidade e controle sanitário torna-se cada vez mais presente no cotidiano dos exportadores brasileiros.
A imprensa especializada aponta que o avanço do setor foi sustentado por ganhos expressivos em carne bovina—US$ 14 bilhões anuais—e café, com US$ 12,9 bilhões. A diversificação para mango e açaí consolida alternativas de exportação, ampliando oportunidades para pequenos produtores e agricultura familiar.
Os próximos desafios do agro brasileiro passam pela continuidade na negociação tarifária, busca de novos mercados e ampliação de acordos bilaterais. O fortalecimento da estrutura interna e a promoção de inovação tecnológica serão determinantes para garantir competitividade em um cenário de crescente disputa internacional.
Fontes: Brasil 247, Abrafrigo, Reuters, Agência Brasil, G1
0 Comentários