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Botucatu dá largada histórica à vacinação contra a dengue com imunizante do Butantan


Cidade paulista é primeira a receber vacina 100% brasileira e de dose única em campanha em massa para adultos

(Foto:© FONTE: Walterson Rosa/MS)


A cidade de Botucatu iniciou uma campanha histórica de vacinação em massa contra a dengue com a Butantan-DV, primeira vacina 100% brasileira e de dose única contra a doença. O município foi escolhido pelo Ministério da Saúde por sua estrutura de atenção básica e pela experiência bem-sucedida em campanhas de imunização em massa durante a pandemia de Covid-19, além do recente aumento de casos ligados ao sorotipo DENV-3. A meta é vacinar de forma rápida e organizada praticamente toda a população adulta da cidade, reduzindo o impacto de futuras epidemias.

O plano federal prevê imunizar moradores de 15 a 59 anos de três municípios do país como fase de estudo de efetividade antes da expansão nacional do imunizante. Em Botucatu, unidades básicas, escolas e pontos volantes foram preparados para atender o público ao longo do dia, com reforço de equipes e apoio da universidade local. O objetivo é avaliar, em condições reais, a proteção conferida pela vacina, o impacto na circulação do vírus e a redução de casos graves e internações, gerando dados sólidos para decisões futuras.

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a Butantan-DV é o primeiro imunizante de dose única contra dengue capaz de proteger contra os quatro sorotipos do vírus. A tecnologia empregada é integralmente nacional, o que dá ao Brasil autonomia para ajustar a produção conforme a demanda interna e cenários sazonais da doença. A produção começou ainda antes da aprovação final, em ritmo escalonado, para garantir estoques iniciais suficientes ao programa piloto e evitar interrupções na oferta.

Em Botucatu, a meta oficial é atingir pelo menos 90% da população-alvo vacinada, índice considerado ideal para gerar efeito de proteção coletiva e diminuir de forma significativa a circulação viral. Campanhas informativas em rádios, redes sociais e imprensa local explicam que mesmo quem já teve dengue pode se vacinar, seguindo orientações das equipes de saúde. A adesão maciça é vista como decisiva para que o município se torne vitrine da estratégia nacional e ajude a convencer outros públicos.

Para dar conta da demanda, a prefeitura organizou postos extras em ginásios e escolas, com horários estendidos e reforço de profissionais da rede pública e da universidade. Equipes volantes percorrem bairros mais afastados para alcançar moradores com dificuldade de deslocamento, garantindo equidade no acesso. O desenho logístico busca evitar filas excessivas e assegurar que diferentes perfis de trabalhadores consigam se vacinar, inclusive aos fins de semana e em horários alternativos.

Estudos clínicos anteriores já haviam demonstrado segurança e eficácia relevantes da Butantan-DV, o que embasou a liberação para uso em larga escala. Mesmo assim, o Ministério da Saúde e o Butantan montaram um sistema de monitoramento em tempo real de possíveis eventos adversos, registrando e avaliando qualquer intercorrência. Esse acompanhamento é fundamental para consolidar o perfil de segurança da vacina, responder rapidamente a dúvidas e ajustar protocolos, se necessário, reforçando a confiança da população.

A campanha em Botucatu ocorre em um cenário de preocupação nacional com a dengue, que volta a pressionar unidades básicas, UPAs e hospitais em diferentes estados. O avanço do sorotipo DENV-3, associado a surtos mais intensos em algumas regiões, reforça a urgência de estratégias preventivas mais robustas. A aposta em uma vacina de dose única é reduzir a dependência exclusiva de ações de combate ao mosquito, historicamente insuficientes para conter grandes epidemias, e inaugurar uma nova fase de controle da doença.

Se os resultados em Botucatu e nos outros municípios selecionados confirmarem alta efetividade, a expectativa é incorporar a Butantan-DV de forma definitiva ao calendário nacional de vacinação. Isso permitiria, em poucos anos, criar uma geração de brasileiros com imunidade robusta à dengue, mudando o patamar da doença no país. O sucesso da experiência paulista será, portanto, um passo decisivo para o futuro da política de imunização contra arboviroses no Brasil, com potencial de inspirar outros países tropicais.

FONTES: Agência Brasil; Ministério da Saúde; Governo de São Paulo; Instituto Butantan; G1 Bauru e Marília.[agenciabrasil.ebc.com]​



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